sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Inside the airplane

Depois de 2hs de espera dentro do avião, finalmente estou a caminho de NY. O piloto do avião recebeu uma ligação que o pai estava enfartando e teve que sair correndo. Até que a companhia encontrasse alguém que pudesse substituí-lo, levou-se 2hs.
Claro que não estou online. Só estou escrevendo para postar quando chegar em NY.
Deixei SF da mesma maneira de quando cheguei: com uma neblina espessa cobrindo a cidade. Depois que o avião a atravessou, parecia um tapete de algodão, coisa mais linda.
Domingo passei o dia em casa arrumando as malas e ajeitando minhas coisas. Estava um dia lindo, de sol. À noite fui jantar no restaurante italiano de novo, com a Karin.
Ontem estava um dia horroroso, nublado. Encontrei a Karin de manhã e pegamos o cable car, só pra tirar fotos, que eu ainda não tinha tirado. Estava um vento gelado e, por isso, nem andamos muito no centro da cidade. Voltamos para a minha casa para pegar o carro, que eu tinha pedido emprestado pra Elaine pra ir até Sausalito, que eu ainda não tinha ido e tenho certeza que ia me arrepender se não fosse.
Na metade da Golden Gate Bridge a neblina sumiu. Do outro lado estava sol, um dia lindo. E de lá podíamos ver o fog sobre SF.
A cidade é bonitinha, mas nada demais. A atração principal é uma rua cheia de lojinhas e restaurantes, de onde se pode ver a baia. Almoçamos por lá, demos uma volta e voltamos para a gélida e nublada SF.
Terminei de arrumar as malas e tive que deixar para trás uma bolsa, uma bota e um sapato. Todos meio velhos, que eu já imaginava que ficariam por aqui, pela falta de espaço.
Saio de SF triste em deixar uma cidade tão graciosa para trás, mas ao mesmo tempo feliz em poder voltar ao Brasil e comer a comida que tanto me faz falta aqui. E mais feliz ainda com a ida para a Itália, em 12 dias.
Esses 3 meses mostraram que definitivamente os EUA não é o meu lugar. Em primeiro lugar odiei a comida, sempre sem sal e com muita pimenta. Pouca comida saudável e muito lanche. Muito cookie, brownie, donuts, doces em geral. Tudo bem, vocês vão dizer que adoram doce. Mas pensem numa alimentação baseada quase que só em sabores agridoces.
Os americanos prezam muito a liberdade, mas eu acredito que a sua liberdade termina onde começa a minha. E muitas vezes senti que isso foi ultrapassado aqui. Um dia estávamos em um restaurante e o cara na mesa do lado, enquanto aguardava a comida e falava no celular, tirou o sapato e a meia e começou a coçar o pé!! Ele não deve nada a ninguém e tem o direito de fazer isso onde quiser, mas não num restaurante com outras pessoas comendo por perto!!
O espírito consumista empera mais que tudo. Nos feriados, há sempre grandes promoção porque, ao invés de viajarem, eles saem às compras!! A nação mais rica do mundo não viaja nem dentro do seu próprio país!! Muitos deles não sabem nem a geografia do próprio país. O pior é que não sabem se vestir, não tem classe e estilo, como os europeus. Eles tem as melhores roupas do mundo a preço de banana mas não sabem combinar.
As pessoas mais interessantes que conheci foram a Elaine e meus professores Jason e Amber.
Elaine é irlandesa e, quando jovem, morou na Itália e na Espanha. Foi enviada aos EUA com 18 anos pelos pais porque estava se envolvendo com a luta pela libertação da Irlanda do Norte e os pais ficaram com medo que ela se metesse em problemas. Ainda hoje ela luta por essa causa. Perdeu um tio no Bloody Sunday, odeia a Inglaterra e tem várias coisas relacionadas à Irlanda em casa.
Jason é gay, nascido e criado em New Jersey, próximo a NY. Morou na Bélgica quando adolescente e por isso fala Francês. Teve um namorado braslieiro e se mudou para SP, onde estudou Semiótica na PUC por 4 anos e, portanto, fala Português. Ele entende os erros que falantes de línguas latinas costumam cometer e critica muitos aspectos da cultura americana.
Amber deu aula de inglês na China e entende os problemas dos asiáticos. Está sempre criticando o governo Bush e o espírito consumista dos americanos.
Davide sempre costuma falar que o que mais gosta em mim é o meu sorriso, a minha alegria; que o brasileiro é um povo alegre. Depois disso comecei a prestar atenção e ele tem razão. Você não vê pessoas conversando e gargalhando em restaurantes e bares, como vemos no Brasil. Poucas vezes gargalhei desde que cheguei aqui ou vi um americano rindo.
Na verdade acho que o brasileiro é um povo muito carente, que está sempre buscando uma aceitação, por isso somos sempre tão simpáticos com os visitantes estrangeiros. Fazemos um esforço imenso para que gostem da gente e falem bem do nosso país. Americanos não estão preocupados com isso; não se importam com a opinião dos outros. Não se preocupam com etiquetas e formalidades.
Por um lado isso é bom, são auto-suficientes. Mas num mundo cada vez mais globalizado, não podem se fechar no mundo deles. Isso só atrai a raiva de tantos povos pelo mundo. O pior é que, por ser a nação a mais rica, eles estão exportando o american way of life todo o mundo, e as pessoas mais pobres ou ignorantes estão adotando. Podemos perceber isso nos Big Brother’s e reality shows da vida, na necessidade de se trocar de celular ou Ipod a todo instante ou de vestir a roupa da moda, da grife do momento, e se igualar a todo mundo e viver como carneirinho. Sem identidade própria, sem estilo.
E não estou falando só do Brasil. Davide me disse que em Nápoles, onde as pessoas são mais pobres, eles se preocupam em vestir Dolce & Gabana e te olham com desprezo se você não se veste assim.
Não posso negar que as coisas funiconam aqui, as pessoas são educadas no trânsito, obedecem as leis; há segurança. Apesar de não ter metrô em SF, o ônibus é ótimo, com paradas a cada dois quarteirões e linhas servindo todas as vias principais. Um dia no restaurante uma senhora passou mal, chamamos o 911, veio um caminhão de bombeiro em 5 min!! Eles fizeram os primeiros socorros e logo depoisn chegou a ambulância, para levá-la ao hospital.
Em Las Vegas reclamamos do quarto, que estava com vazamento na pia. Colocaram a gente num puta quarto com vista para a Strip, a rua principal.
Mesmo hoje, com o atraso do avião, o comandante passava as informações a todo momento e veio inclusive andar no avião para conversar com os passageiros e responder às dúvidas de quem tem outras conexões.
Sei que o post tá longo demais, mas 5hs dentro do avião, não dá, né?
Próxima parada, New York, New York!!

Nenhum comentário: